Criado telhado inteligente para autosuficiência energética de moradias

O professor Wen Tong Chong, da Universidade da Malásia, acredita ter encontrado o projeto ideal para uma casa mais ambientalmente correta em regiões tropicais.

Seu objetivo foi obter um equilíbrio entre um “conflito ambiental” que incomoda os arquitetos: como conciliar a crescente demanda de conforto, com seu natural consumo de energia, e a necessidade de reduzir o consumo de energia por conta das mudanças climáticas.

Usar fontes renováveis de energia e aproveitar as variações naturais do clima parece ser uma resposta adequada, mas falar é mais fácil do que fazer.

Chong então idealizou um telhado superior em formato de V, que se projeta acima do telhado tradicional, criando as condições para gerar energia e aproveitar a iluminação natural.

Telhado inteligente

A estrutura em V coleta o vento e o dirige para uma série de turbinas situadas logo abaixo, gerando eletricidade.

A estrutura também aumenta o fluxo de ar dentro da casa por meio de aberturas construídas no telhado tradicional, melhorando a ventilação natural.

Além disso, um coletor de água da chuva é conectado a um sistema automatizado de resfriamento e limpeza que lava as células solares embutidas no telhado secundário, para manter seu nível de eficiência.

Finalmente, claraboias transparentes iluminam as áreas principais dentro da casa durante o dia, reduzindo a necessidade de iluminação artificial.

Ganhos energéticos

Chong afirma que seu telhado adicional poderia suprir as necessidades de uma família de seis pessoas, gerando 21,20 quilowatts (kWh) de energia, e economizando outros 1,84 kWh por conta dos tetos solares.

Além disso, o sistema de ventilação poderia movimentar, em termos anuais, cerca de 217 milhões de metros cúbicos de ar e reduzir as emissões de dióxido de carbono em 17.768 quilogramas, enquanto o coletor de água da chuva poderia coletar cerca de 525 metros cúbicos de água.

Primeira norma técnica para cidades sustentáveis é criada no Brasil

Primeira norma técnica para cidades sustentáveis do Brasil foi aprovada e publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em janeiro, a NBR ISO 37120:2017. A norma define e estabelece metodologias para um conjunto de indicadores relacionados ao desenvolvimento sustentável de comunidades urbanas, com o objetivo de orientar e medir o desempenho de serviços urbanos e qualidade de vida.

O trabalho de estudo e tradução da norma internacional já existente para esse tema foi feito pela Comissão de Estudos Especial 268 da ABNT, uma comissão espelho da Technical Committee TC 268 da ISO, a Sustainable cities and communities, que atuou na confecção da norma internacional. A CEE 268 foi coordenada pelo professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC) da Escola Politécnica (Poli) da USP, Alex Abiko.

Segundo o professor, trata-se de uma tradução e adaptação para a língua portuguesa da norma ISO 37120:2014 – Sustainable development of communities – Indicators for city services and quality of life. “Esses indicadores podem ser utilizados para rastrear e monitorar o progresso do desempenho da cidade no que se refere à sustentabilidade.”

A iniciativa de ter uma norma nacional sobre o assunto nasceu das atividades de pesquisa do próprio Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli, que tem uma linha de estudos em planejamento e engenharia urbanos, e teve colaboração da doutoranda do departamento, a engenheira Iara Negreiros.

A primeira norma técnica para cidades sustentáveis contém 100 indicadores de sustentabilidade urbana e trata dos aspectos ambiental, econômico, social e tecnológico, entre outros. “Esse documento vai ajudar os municípios, governos de Estado, o Ministério das Cidades a medir a sustentabilidade das cidades, mas essas normas não estabelecem padrões”, explica Abiko.

Ou seja, a norma não fala se uma cidade é sustentável ou não, mas estabelece quais requisitos devem ser avaliados para se medir essa sustentabilidade. Engloba indicadores de diferentes áreas, tais como: economia, educação, energia, ambiente, finanças, serviços de emergência, saúde, lazer, segurança, resíduos, transportes, telecomunicações, água, planejamento urbano etc.

Empresas
Além do setor público, a NBR ISO 37120:2017 também pode ser usada pelas empresas para que atestem, para clientes e governo, o quão sustentável são seus empreendimentos. “Gostaríamos que a sociedade use e critique a norma para podermos aprimorá-la”, afirma Abiko.

A norma nasceu de uma necessidade acadêmica. “Queríamos saber como medir a sustentabilidade das cidades e fomos investigar como isso é feito no mundo. Descobrimos mais de 150 sistemas de medição, desenvolvidos e adotados em diversos países, como Estados Unidos, Austrália, França, Inglaterra, África do Sul, e inclusive alguns sistemas no Brasil. Nossa próxima pergunta foi, então, qual seria o melhor sistema para adotarmos aqui, considerando que muitos deles acabam trabalhando questões muito particulares de cada país”, conta.

Nessa pesquisa pelo melhor sistema, chegou-se à norma da ISO, a Organização Internacional de Normalização, entidade que congrega as associações de padronização/normalização de 162 países do mundo, incluindo o Brasil.

“Ela foi selecionada porque é resultado da discussão e trabalho de uma entidade que reúne quase todos os países do mundo, o que dá muita credibilidade e torna a norma internacional. As outras normas que estudamos trazem elementos que são muito particulares das realidades locais, o que torna mais difícil implementá-las em contextos diferentes, enquanto a ISO sempre busca unir o melhor de todas as normas em uma só”, destaca.

Selecionada a norma ISO, a Comissão 268 passou a trabalhar na tradução do documento. Não bastava apenas traduzir para a língua portuguesa, mas fazer uma avaliação técnico-científica do documento porque, ao mesmo tempo em que não se pode alterar uma norma ISO para adotá-la e ela ser uma norma NBR ISO, é preciso fazer adaptações em itens para que a norma faça sentido ou seja adaptada à realidade brasileira, o que foi feito por meio de notas.

Um exemplo de nota brasileira está na definição do termo favela, que também pode ter como sinônimos, no Brasil, os termos assentamentos precários ou assentamentos subnormais, como utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse trabalho envolveu diversas instituições e órgãos públicos, tais como a Caixa, Ministério das Cidades, Sabesp, Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Sindicato da Habitação (Secovi), Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS), Poli, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), Instituto de Engenharia, entre outras, que compuseram a CEE 268.

As próximas normas a serem desenvolvidas no contexto da CEE 268 são as de Sistemas de Gestão para o Desenvolvimento Sustentável, cujos trabalhos já estão avançados, as de Cidades Inteligentes e as de Cidades Resilientes, em nível mais preliminar.

“É importante participar da discussão de novas normas internacionais desde o início. Se nos aproximamos de outros países e instituições internacionais, podemos colocar nas normas internacionais as questões específicas do Brasil”, conclui Abiko.

FONTE: Sustentarqui

 

DINÂMICA DA REGENERAÇÃO GLOBAL – A CHEGADA DA NOVA ERA

Já sabemos de mil formas como a Humanidade pode ser destruída. Cinema, séries, jornais e até desenhos e artes retratam os infinitos caminhos da extinção, sofrimento e barbárie que podem acometer à Terra e seus habitantes.

Mas conhecemos os caminhos da regeneração? As ações e tecnologias que poderiam nos levar ao reequilíbrio como civilização? Porque devemos continuar nesta “programação” de dor, medo e escassez?

Estamos nos aproximando do ápice. Nosso planeta está no limite e nossas especialistas já não sabem o que fazer diante cenário global. (veja a ponta do iceberg em notícia de 22 de mar 2017 – Estadão: ONU confirma calor recorde e diz que clima entrou em ‘território desconhecido’ ).

Mesmo com ciclos e tendências, é inegável que a nossa atuação está prejudicando o equilíbrio da vida no planeta. E o pior é vermos nosso mundo atual como um retrato do passado. Já temos inovações e tecnologias para transformar (e regenerar) o mundo. Mas elas não recebem a atenção que gostaríamos, pois estão impedidas de florescer por ação dos “sistemas-base” da sociedade. Indústrias que movimentam o mundo, elegem candidatos e não estão interessadas em abrir mão de seus monopólios. Podemos citar como exemplos a indústria bélica (armas e explosivos), farmacêuticas (remédios e vacinas), Gás, Petróleo e Carvão.

Atualmente já sabemos que existem inesgotáveis fontes de energia limpas e sustentáveis. Apenas do Sol, a Terra recebe, em um ano, energia equivalente a quase 10 mil vezes o consumo mundial de energia. No futuro, vamos constatar incrédulos o boicote e perseguição que os inventores das novas soluções livres e renováveis sofreram ao longo da história da humanidade.

Mas neste cenário atual de expectativa e incertezas para o futuro temos que agir da forma que podemos para transmitir as novas soluções para o futuro. Mas antes devemos saber: QUAIS SOLUÇÕES EXISTEM? Sequer sabemos isso ainda!  

DINÂMICA DA REGENERAÇÃO GLOBAL

O “DINÂMICA DA REGENERAÇÃO GLOBAL” é um movimento de comunicação que tem como objetivo reunir oportunidades de práticas (cursos/vivências), conhecimentos (palestras/aulas) e informações (dados/pesquisa) sobre novas soluções e propostas para 6 áreas essenciais de uma sociedade: Transporte, Alimentação, Água, Moradia, Energia e Medicina.  

O conteúdo da DINÂMICA DA REGENERAÇÃO GLOBAL será dividido em temáticas para auxiliar na identificação dos conteúdos, e propõe a seguinte abordagem inicial sobre cada área: (por favor comente se tiver alguma sugestão de melhoria):

NOVAS SOLUÇÕES EM ENERGIA:

Parque de Geração de Energia Solar na Espanha

Geração: Formas de extrair energia de forma sustentável.

Transmissão: Métodos inovadores e soluções para energia sem fio

Armazenamento: Novas tecnologias para retenção eficaz da energia extraída. (Atualmente utilizamos o Lítio como fonte primária das baterias do mundo. Trata-se de um recurso escasso e finito, e a maior reserva de lítio do mundo está no Afeganistão. Definitivamente precisamos adotar novos materiais para realizar esta tarefa.)

 

NOVAS SOLUÇÕES EM TRANSPORTE:

Já existem diversas Propostas e soluções para o transporte público nas grandes cidades.

 

Tratar sobre as novas propostas de veículos e meios de circulação. Veículos autônomos e novos motores movidos a eletricidade ou combustível renovável. Invenções para veículos leves e transporte de cargas e passageiros, seja na terra, na água ou no ar.

 

NOVAS SOLUÇÕES EM MORADIA:

Prédios auto-suficientes e com arquitetura favorável podem abrigar milhares de pessoas de forma sustentável.

Arquitetura (design): Formas que aproveitam os elementos naturais do ambiente, como luminosidade, umidade, etc e geram melhores ambientes para convívio e aprendizado.

Engenharia (construção): Tecnologias e métodos eficientes para construção de casas, comércios e indústrias.

NOVAS SOLUÇÕES EM ALIMENTAÇÃO:

As chamadas “fazendas verticais” são propostas plausíveis para produzir alimentos orgânicos em ambiente controlado e de forma extremamente eficiente, com hidroponia e aeroponia.

Produção (agricultura): Novas propostas para geração de alimentos de forma mais produtiva usando menos recursos. Metodologias de cultivo descentralizado de alimentos;

NOVAS SOLUÇÕES PARA A ÁGUA:

Nomeado Warka Water, foi feito para recolher a umidade do ar por condensação e depositar a água até um recipiente. Constituído por uma torre de 10m, ele pode gerar cerca de 100 litros de água/dia.

Técnicas eficientes para captura e armazenamento de água em diversos tipos de ambientes, bem como formas de realizar a filtragem da água para consumo humano.

 

NOVAS SOLUÇÕES EM MEDICINA

O avanço da compreensão e manipulação do DNA está inaugurando uma nova era na medicina.

Novas propostas para diagnóstico, tratamento e realização de procedimentos cirúrgicos.


 

Vamos compartilhar todos esses conteúdos em futuros posts, e também reunir todos em uma página fixa aqui do Blog que será lançada em breve. Se você gostou desta ideia de reunir conteúdos sobre esse tema e assuntos e gostaria de contribuir de alguma forma, deixe seu comentário ou envie email para jornalistadanovaera@gmail.com.

Participe também da nossa página no Facebook para ampliar essa comunidade nas mídias sociais: facebook.com/JornalistadaNovaEra

Vamos juntos fortalecer os movimentos de regeneração e sustentabilidade para um futuro possível ao planeta. E, principalmente, termos ciência de que todas as soluções já existem. Precisamos apenas colocá-las em prática. 

 

Novo Minério transforma luz solar, calor e movimento em energia elétrica

kbnno minerio energia

A tecnologias para energia renovável acaba de ganhar um reforço de peso, vindo de cientistas cientistas da Universidade de Oulu, na Finlândia. E o melhor: A expectativa é que o mineral já esteja pronto para ser comercializado em 2018.

A descoberta reforça a percepção de muitos de que todas as soluções para o futuro da humanidade estão em nosso próprio planeta. E que vivemos o início de uma era onde iremos ampliar toda sabedoria e tecnologias para regeneração do planeta.

A descoberta do minério chamado KBNNO, classificado como um tipo de cristal e pertencente a família Peroskvita, tipos raros de minérios capazes de produzir energia elétrica utilizando apenas uma ou duas fontes específicas surpreendeu a comunidade científica do mundo (os painéis solares são produzir com eles por exemplo). E o motivo da surpresa é a polivalência do KBNNO, pois ele é o único minério descoberto na Terra (até o momento) capaz de produzir energia a partir de todos os estímulos possíveis (luz, pressão, movimento e calor). E tudo ao mesmo tempo!

COMO FUNCIONA

Inversão dos polos magnéticos do KBNNO por luz, pressão, movimento ou calor é o  motivo da geração de energia.

Inversão dos polos magnéticos do KBNNO por luz, pressão, movimento ou calor é o motivo da geração de energia.

De acordo com os pesquisadores da universidade, e a publicação do Applied Physics Letters, o KBNNO é um “material ferroelétrico” com moléculas polares, ou seja, que funcionam como as agulhas de uma bússola reproduzindo o polo sul e o Norte ao redor de si.

Quando são estimuladas por algum fator físico, como raios solares ou pressão, por exemplo, esses polos acabam se desalinhando – o que desencadeia uma corrente elétrica.

 

APLICAÇÕES POSSÍVEIS E DESAFIOS

Sabemos que os cristais são amplamente utilizados em todos os equipamentos eletrônicos e possuem ampla relação com o armazenamento e transmissão de informações.E que inclusive, você ja viu no post “Por Dentro do Cérebro: Tudo que você precisa saber sobre a Glândula Pineal“, que possuímos cristais de apatita no interior do nosso cérebro. Desta forma, o KBNNO, pode ser uma alternativa para produção de baterias para celulares, tablets e diversos equipamentos eletrônicos. Além disso pode representar um modo alternativo de carregar aparelhos elétricos, sem depender unicamente de uma fonte energética.

Atualmente utilizamos o Lítio como principal minério para produção de baterias. Porém, esse fato é um grande problema, pois trata-se de um minério não renovável e que sua principal reserva está no Afeganistão. Não podemos substituir o petróleo por outro recurso escasso. (Veja mais em: “EUA revelam reservas de cobre e lítio de US$ 1 tri no Afeganistão, diz jornal

O único empecilho dessa nova descoberta seria a eficácia da produção de energia, que é menor em comparação com outros minérios da família perovskitas especializados, como a de células solares – que já são usadas em tecnologias de captação de luz. Mais baratas, já bateram o recorde de eficiência, passando de 3,8% de conversão de eletricidade em 2009, para 25,5% em 2016. Mas, enfrentam um problema natural: e quando não há luz do Sol? Com o KBNNO não haveria esse problema, pois funcionaria com outras fontes além do sol.

 

Os estudos estão apenas iniciando. Os cientistas acreditam que se encontrarem a composição e aplicação ideal, poderão aumentar sua eficiência energética e transformar os painéis solares, por exemplo, em materiais muito mais eficazes e capazes de gerar energia por vários estímulos diferentes.

Vamos aguardar por novidades. Mas já se trata de uma bela descoberta para esse início de 2017.

 

Compreendendo a Transição Planetária [Vídeo]

A partir de hoje, inicia-se um novo projeto no blog: vídeos com pensamentos e percepções a cerca das evidências do período de transição que vivemos.

Assista abaixo o vídeo #1 sobre o tema “compreendendo a transição planetária”:

A Natureza sucumbi ao capital

Navegando pelo Facebook, o seu algorítimo selecionou para mim um conteúdo interessante. Uma montagem com duas fotos que demonstram de forma nua e cura a filosofia e os princípios do Sistema que somos forçados a viver e acreditar.

outdoor-por-arvore

Os recursos da Natureza não valem nada diante dos recursos financeiros. Esta lógica deve mudar. Não existe sistema que possa crescer em harmonia com os recursos naturais agindo desta maneira.

Não adianta criar Lei que proíba o desmatamento ou restrinja exploração ambiental. Isso seria apenas um paliativo, e faz crescer a criminalidade. É preciso mudar a ótica, o ponto de referência. Qual papel tem desempenhado o sistema de Bolsa de Valores, por exemplo, na sociedade? É este o progresso que queremos? Quais as consequências deste sistema?

As soluções estão todas criadas. O incentivo, que obedece ao dinheiro, está aprisionado nas mãos de poucos que buscam o controle da sociedade para poder explorar todos os recursos que seus objetivos exigem.

A realidade (triste) dos Alimentos no Mundo

Para todos que acreditam que o aumento populacional ira deixar todos com fome….Vivemos em um mundo guiado pelo DINHEIRO e nao pelos RECURSOS. Se não mudarmos isso logo, ou ao menos valorizarmos os Recursos da Terra…o fim é inevitável, a realidade será insustentavel, e a miséria fará morada em nossas casas…
Para sustentar meu alarde, segue abaixo notícia publicado pelo portal Ciência P:
Metade dos alimento produzidos no mundo vão parar no lixo

fome no mundoCerca de metade da comida produzida no mundo todos os anos vai para o lixo. Um estudo divulgado nesta quinta-feira revela que 30 a 50% dos alimentos disponíveis não são consumidos, o que se traduz no desperdício de 1,2 mil milhões a dois mil milhões de toneladas de comida. E o problema tende a agravar-se.

O documento intitulado Global Food; Waste not, Want not (Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira), elaborado pelo Institution of Mechanical Engineers, uma organização do Reino Unido que representa engenheiros industriais, aponta motivos para o desperdício: condições inadequadas de armazenamento e transporte, adopção de prazos de validade demasiado apertados, ou promoções que encorajam os consumidores a comprar em excesso.

Outro problema é a preferência dos supermercados por alimentos “perfeitos” em termos de formato, cor e tamanho. O estudo refere que 30% das frutas e legumes plantados no Reino Unido não chegam a ser colhidos, por causa da aparência.

Os números apurados pela instituição estão em linha com os dados da FAO (Food and Agriculture Organization, das Nações Unidas), segundo os quais os países industrializados deitam fora um terço da comida disponível, todos os anos. Isto equivale a 1,3 mil milhões de toneladas, segundo a FAO, suficientes para alimentar as 868 milhões de pessoas que todos os dias vão dormir com fome.

Só em Portugal, é desperdiçado um milhão de toneladas de alimentos por ano (17% do que é produzido pelo país), de acordo com as conclusões do PERDA – Projecto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar, apresentadas em Dezembro.

O estudo agora divulgado lembra que as previsões da ONU apontam para um aumento da população mundial até 2075, de três mil milhões de pessoas. Nesse ano, haverá 9,5 mil milhões de bocas para alimentar.

“A quantidade de comida desperdiçada no mundo é assombrosa. Esta comida poderia ser usada para alimentar a crescente população mundial, além dos que estão a passar fome”, sublinha em comunicado o director do departamento de Energia e Ambiente da organização, Tim Fox.

O desperdício de alimentos envolve também o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção, como a água, os terrenos, a energia. O documento conclui que cerca de 550 mil milhões de metros cúbicos de água são usados anualmente na produção de alimentos que vão para o lixo.

E as previsões não são animadoras: o consumo de água no mundo chegará aos 13 bilhões de metros cúbicos por ano em 2050, devido ao crescimento da procura de alimentos – sobretudo de carne, que exige mais água do que os vegetais no processo de produção. Este valor representa até 3,5 vezes o total de água consumido actualmente.

Por isso, os autores do documento recomendam que sejam tomadas medidas urgentes para inverter este cenário.